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O Olimpo na cultura pop

Quase três mil anos depois de Homero, os deuses gregos continuam a encher salas de cinema, plataformas de streaming e consolas. Um retrato do momento — com paragem em Portugal.

2026 tem sido um ano forte para a mitologia grega. Uma grande produção de cinema baseada na Odisseia, novas temporadas de séries e a popularidade de videojogos passados entre deuses e heróis voltaram a pôr o Olimpo no centro das conversas. Foi também isso que nos levou a criar Trovão do Olimpo.

Cinema · 2026

A Odisseia, de Christopher Nolan

A adaptação do poema de Homero estreou nos cinemas a 17 de julho de 2026, com Matt Damon no papel de Ulisses e um elenco que inclui Tom Holland, Zendaya, Anne Hathaway e Robert Pattinson. Foi filmada com câmaras IMAX e voltou a pôr a Odisseia nas conversas do grande público.

Série · Disney+

Percy Jackson e os Olimpianos

A série baseada nos livros de Rick Riordan, sobre adolescentes filhos de deuses gregos no mundo atual, tornou-se uma porta de entrada para a mitologia para uma nova geração. A terceira temporada, baseada no livro A Maldição do Titã, tem estreia anunciada para 20 de novembro de 2026.

Videojogo

Hades e Hades II

Os roguelikes do estúdio Supergiant Games puseram os jogadores a fugir do submundo e a conversar com todo o panteão. A versão final de Hades II saiu em setembro de 2025, depois de mais de um ano em acesso antecipado. São elogiados tanto pela jogabilidade como pela forma como dão personalidade a cada deus.

Videojogo

God of War

A trilogia original acompanha Kratos numa vingança contra os deuses do Olimpo. É uma leitura muito livre dos mitos, mas apresentou Zeus, Ares e Posídon a milhões de jogadores.

Videojogo

Assassin's Creed Odyssey

Um mundo aberto passado na Grécia do século V a.C., durante a Guerra do Peloponeso, com um modo de descoberta que funciona como visita guiada à Grécia Antiga.

Videojogo

Immortals Fenyx Rising e Age of Mythology

Duas abordagens distintas: uma aventura colorida e bem-humorada narrada por Zeus e Prometeu, e um clássico da estratégia em tempo real em que os deuses concedem poderes às civilizações.

Cinema · 2007

300, de Zack Snyder

Baseado na banda desenhada de Frank Miller, recria a Batalha das Termópilas (480 a.C.), onde o rei espartano Leónidas resistiu com 300 homens à invasão persa de Xerxes num desfiladeiro estreito. Não é mitologia — é história antiga —, mas o estilo visual e a disciplina espartana ligam-se ao mesmo imaginário da Grécia Antiga que atravessa esta página.

Banda desenhada

Lore Olympus

A webcomic de Rachel Smythe reconta o mito de Hades e Perséfone num Olimpo contemporâneo. Publicada na plataforma Webtoon entre 2018 e 2024, foi um dos maiores fenómenos do formato e tem uma adaptação animada anunciada para o Prime Video.

Literatura

Circe e A Canção de Aquiles

Os romances de Madeline Miller deram voz a personagens secundárias dos poemas homéricos e abriram caminho a uma vaga de recontos mitológicos nas livrarias.

O Olimpo fala português

Ulisses e a fundação de Lisboa

Segundo uma lenda transmitida desde a Antiguidade, Lisboa teria sido fundada por Ulisses durante as suas viagens. O geógrafo grego Estrabão já referia, na Geografia, uma cidade chamada «Odysseia» na Ibéria; mais tarde, o autor latino Solino escreveu que Olisipo — o nome romano de Lisboa — fora fundada por Ulisses, junto ao Tejo. A semelhança entre os dois nomes alimentou a história durante séculos. Os historiadores consideram hoje que se trata de uma etimologia lendária, mas a história ficou: Fernando Pessoa dedica-lhe o poema «Ulisses», na Mensagem (1934), que abre com o verso «O mito é o nada que é tudo».

Os deuses n'Os Lusíadas

Em 1572, Luís de Camões pôs os deuses olímpicos a decidir o destino da viagem de Vasco da Gama. Logo no Canto I (estâncias 20 a 41), Júpiter convoca um concílio no Olimpo: Vénus protege os Portugueses, em quem reconhece as qualidades dos Romanos; Baco opõe-se, com receio de perder a fama que tinha no Oriente. O poema nacional português é, também, uma história de deuses gregos e romanos.

As Colunas de Hércules

O limite do mundo conhecido pelos Gregos ficava aqui ao lado, no estreito de Gibraltar. Para lá das Colunas de Hércules começava o oceano desconhecido — precisamente aquele por onde, muitos séculos depois, partiriam as naus portuguesas.

Porque continuam a funcionar?

Os deuses gregos não são perfeitos: são ciumentos, vaidosos, generosos e vingativos — demasiado humanos. Essa mistura de poder imenso e fraquezas reconhecíveis faz deles personagens ideais para qualquer época e qualquer formato, de um poema épico a um jogo no telemóvel.

Nota: os títulos referidos nesta página são marcas e obras dos respetivos autores, estúdios e editoras. A Kinetoriva não tem qualquer ligação a essas entidades; as referências têm fim exclusivamente informativo.

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